(Uma abordagem sobre a questão da visibilidade do
xadrez no marketing desportivo)
Ricardo Paolucci
Há um certo tempo venho discutindo este assunto, seja com
pessoas do meio enxadrístico ou com profissionais que atuam no segmento de
administração e marketing esportivo.
Meu ponto de vista e argumentação remete-se à estratégia de
grandes empresas em momentos de crise, queda de produção ou redução do seu
público consumidor.
Em muitos casos, o que podemos acompanhar é o
“rejuvenescimento da marca/produto” e, para ilustrar, temos um caso
exemplar: A empresa Alpargatas e suas sandálias “Havaianas”
Quem viveu intensamente os anos 70 e 80 pode recordar – e
concordar – que este produto era tipicamente visto e associado com o
“calçado das empregadas domésticas”, tinham apenas um caráter funcional e,
ano a ano perdia cada vez mais mercado.
Pois eis que, ao final dos anos 90, a história começa a mudar
e o que antes era uma simples sandália de borracha, se tornou um acessório
de moda, valorizado em todo o mundo e atingindo um público que jamais
poderia ser imaginado há 3 décadas.
Trazendo este cenário para o Xadrez, o que podemos encontrar?
Tirando os “praticantes intensos”, a visão global, ainda,
associa o xadrez com quem e o quê?
Não é difícil responder: Mequinho e “pessoas nerds”.
É incrível que, passados mais de 30 anos do auge de sua
carreira, seja ele ainda o “top of mind” da grande maioria da
população e da mídia nacional. E aqui não vai nenhuma crítica ao GM, ao
contrário, pois ele fez por merecer este reconhecimento.
Vejam que são situações semelhantes ao “case
Havaianas”.
Além dos já consagrados Milos, Vescovi e Leitão, temos uma
nova geração de jovens talentos extremamente promissora – Fier, Diamant,
Krikor – e que em nada lembram aquela figura “nerd” tão enraizada na mente
daqueles que apenas acompanham superficialmente este esporte.
O que falta, então?
Simplesmente conseguir atingir o mesmo “efeito Guga” que
quintuplicou os praticantes de tênis. Porém, neste caso, minha sugestão é
seguir um cronograma de planejamento estratégico que fatalmente dará
resultados em médio prazo, consolidando este modelo para o longo prazo.
Fácil falar – ou escrever – mas como executar?
Seguem alguns exemplos: