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REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932

 
Feriado lembra luta por Constituição

Data marca o maior conflito militar ocorrido no Brasil neste século

Hoje (9 de julho de 1997), pela primeira vez na história de São Paulo, o dia 9 de julho - considerado até então ponto facultativo - entra para o calendário oficial de feriados do Estado, passando a ser a principal data a ser comemorada pelos paulistas. Dia da Revolução Constitucionalista de 1932, o 9 de julho representa, na história do País, o marco do maior conflito militar ocorrido no Brasil neste século.

A decretação do feriado, um projeto de autoria do deputado estadual José Guilherme Gianetti (PMDB), assinado em março pelo governador Mário Covas, tornou-se possível porque uma lei federal de 1995 passou a permitir que cada Estado tenha um feriado oficial por ano.

No Estado de São Paulo daquela época, o movimento por uma Constituição para o País conseguiu unir a elite e a classe média contra o governo de Getúlio Vargas. Movidos pela frase "Getúlio nos traiu", que ecoava em todo o território paulista, 135 mil homens aderiram à luta, que teve três meses de intenso combate e terminou com 830 soldados mortos.

Revoltada com a nomeação de interventores por Getúlio Vargas para governar os Estados, a sociedade paulista começou a articular-se a partir de uma aliança encabeçada por Julio de Mesquita Filho. Formou-se então a Frente Única Paulista, unindo democratas e republicanos pela convocação de uma assembléia constituinte.

O dia 23 de maio, também lembrado em São Paulo, é a data em que os primeiros protestos contra a política intervencionista tomaram corpo. Nesse dia, durante uma passeata, quatros estudantes - Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo - foram mortos em choque com a polícia getulista e tornaram-se mártires da revolução, dando origem ao Movimento MMDC. O dia 9 de julho é lembrado como a data em que a revolução estourou. Dois anos após o combate, 1934, o objetivo dos paulistas foi alcançado, com a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte.

"A comemoração dessa data é de grande importância para o povo de São Paulo, pois contribui para o restabelecimento da dignidade paulista e do País", diz o administrador de empresas Adolfo Cilento Neto, integrante do MMDC e oficial de cavalaria da reserva do Exército. Segundo ele, "mais do que uma data, o 9 de julho é uma lição de civismo e patriotismo, mostrando a união da sociedade em torno de um ideal comum".

 
(Fonte: O Estado de São Paulo - 9 de julho de 1997)